
Em Pinheiros, São Paulo e outras unidades no Nordeste, a Il Sordo é mais do que uma
sorveteria artesanal. É um modelo de hospitalidade que coloca a inclusão no centro da
operação.
Em todas as suas unidades, a equipe é predominantemente composta por profissionais
surdos.
A comunicação acontece em LIBRAS, por meio de recursos visuais ou simplesmente
apontando os sabores. Funciona. Flui. E transforma a experiência.
Inclusão como prática, não como discurso
Na Il Sordo, a acessibilidade não aparece como um diferencial pontual, ela estrutura o
atendimento. Quem sabe LIBRAS pode pedir em sinais. Quem não sabe aprende ali. O
cardápio é visual, a interação é direta e o ambiente convida à troca.
A experiência não gira em torno da limitação, mas da convivência.
A lógica se inverte: o cliente entra em contato com outra forma de comunicação e
percebe que a barreira muitas vezes está menos na deficiência e mais na falta de
oportunidade de interação
A trajetória de Breno e o nascimento do projeto
A Il Sordo foi idealizada por Breno Oliveira, empreendedor surdo que transformou sua
vivência e formação em um negócio com propósito claro: ampliar oportunidades
profissionais para pessoas surdas e criar um ambiente onde a comunicação seja
acessível de forma natural.
Ao longo de sua trajetória, Breno atuou como instrutor de LIBRAS e vivenciou os desafios
de inserção no mercado de trabalho. A partir dessa experiência, decidiu empreender.
Estudou técnicas de gelato artesanal, estruturou o modelo de negócio e, em 2016,
inaugurou a primeira unidade da Il Sordo. Desde então, o projeto cresceu mantendo a
inclusão como base estratégica, não como ação pontual.
O foco nunca foi apenas abrir uma sorveteria. Foi construir um espaço onde
competência, profissionalismo e identidade cultural caminham juntos.
Produto com qualidade e identidade
O gelato segue técnica artesanal, com sabores intensos e textura equilibrada. A
qualidade do produto é parte essencial do posicionamento: inclusão não substitui
excelência, ela caminha com ela.
A proposta da Il Sordo demonstra que:
-Acessibilidade pode ser integrada à operação
-Inclusão fortalece cultura organizacional
-Comunicação visual e linguagem clara melhoram a experiência de todos
-Diversidade é estratégia de negócio
Um modelo para inspirar o setor
Em um mercado que ainda trata acessibilidade como adaptação posterior, a Il Sordo
mostra outro caminho: pensar a operação desde o início para incluir.
Não se trata de narrativa de “superação”
. Trata-se de competência, gestão e visão
empreendedora.
Ao visitar a Il Sordo, o cliente experimenta um bom gelato. Mas também participa de
uma experiência que amplia repertório, estimula empatia e mostra que hospitalidade
acessível é viável, e eficiente.
